# Lição 05 – O Novo Nascimento – O Diálogo Transformador com Nicodemos | Betel Adultos | 3º trimestre de 2025

- Link: https://ebdhoje.com.br/licao-05-betel-adultos-joao-novo-nascimento/
- Published: 2025-08-02T14:51:06-03:00
- Author: ebdhoje

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## Lição 05 – O Novo Nascimento – O Diálogo Transformador com Nicodemos

### Revista Betel Adultos 3º trimestre de 2025

O Evangelho de João ensina sobre **O Novo Nascimento** onde Jesus revela a Nicodemos
a necessidade do novo nascimento para entrar no Reino de [Deus](https://ebdhoje.com.br/licao-01-deus-se-revelou-a-humanidade-revista-betel-adultos-2-trimestre-2021/).
Descubra como essa verdade transforma vidas ainda hoje.

[ebd_seo_licao numero=”05″ titulo=”O Novo Nascimento – O Diálogo Transformador com
Nicodemos” editora=”Betel” faixa=”Adultos” trimestre=”3º Trimestre” ano=”2025″]

## O que você vai aprender

Nesta lição, estudamos o encontro entre Jesus e Nicodemos. O Mestre ensina que nascer
de novo é essencial para ver o Reino de Deus. A transformação começa no espírito.
Você vai aprender:

 * A importância do novo nascimento como condição para entrar no Reino de Deus.
 * O significado espiritual do diálogo entre Jesus e Nicodemos.
 * Como o novo nascimento nos transforma em novas criaturas em Cristo.

🕊️

### TEXTO ÁUREO

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram;
eis que tudo se fez novo”, 2 Coríntios 5.17.

🪧

### VERDADE APLICADA

Somente o [conhecimento](https://ebdhoje.com.br/licao-01-deus-se-revelou-a-humanidade-revista-betel-adultos-2-trimestre-2021/)
intelectual da Bíblia e a boa vontade não nos dispensam de passar pelo novo nascimento
para entrar no Reino de Deus.

🎯

### OBJETIVOS DA LIÇÃO

Identificar a preocupação de Nicodemos com a sua própria situação espiritual.
 Destacar
a importância do novo nascimento na vida do crente. Saber que Nicodemos amou Jesus
até a Sua morte.

### LEITURAS COMPLEMENTARES

**SEGUNDA** | Jo 3.4 A conversa com Nicodemos.

**TERÇA** | Jo 3.3 O momento da conversa com o [Filho](https://ebdhoje.com.br/licao-10-a-heranca-deixada-por-eunice-e-loide-revista-cpad-4-trimestre-1993/)
de Deus.

**QUARTA** |  Jo 7.45-53 Nicodemos fala em defesa de Jesus.

**QUINTA** | Jo 3.7 Como entrar no Reino de Deus.

**SEXTA** |  Jo 7.46 Ninguém falou assim com o Filho de Deus.

**SÁBADO** | Jo 19.38,9 Nicodemos no sepultamento de Jesus.

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### OUÇA OS HINOS SUGERIDOS

▶️ [165 – A Armadura Cristã](https://www.harpacrista.org/hino/165-a-armadura-crista)

▶️ [227 – Deus Amou de Tal Maneira](https://www.harpacrista.org/hino/227-deus-amou-de-tal-maneira)

▶️ [345 – Oh! Tenho Gozo](https://www.harpacrista.org/hino/345-oh-tenho-gozo)

🙏

### MOTIVO DE ORAÇÃO

Ore para que possamos reconhecer a necessidade de nascer de novo.

## INTRODUÇÃO

Veremos, nesta Lição, o encontro do fariseu Nicodemos com o Filho de Deus, que lhe
fala sobre a necessidade do novo nascimento. Além do singular encontro, abordaremos
outros dois textos no Evangelho de João que mencionam Nicodemos. Com a indispensável
ajuda do Espírito Santo, é possível extrair desses registros lições preciosas para
o nosso crescimento em Cristo.

**PONTO DE PARTIDA:** É necessário nascer de novo.

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## 1 – Conversando com o Filho de Deus

Nicodemos reconheceu que Jesus foi enviado por Deus: “_Bem sabemos que és Mestre
vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não 
for com ele_“; Jo 3.2. Jesus explicou a Nicodemos que, para entrar no Reino de Deus,
é preciso nascer de novo (Jo 3.3).

Isso gerou dúvida no religioso, que questionou como um homem velho poderia nascer
novamente se não teria como voltar ao ventre de sua mãe (Jo 3.4).

### 1.1. Um encontro improvável.

Nicodemos tinha uma posição respeitada na sociedade da época, já que era um príncipe
dos judeus (Jo 3.1). Além disso, ele era fariseu, ou seja, pertencia ao núcleo mais
rigoroso do judaísmo, constituído essencialmente por pessoas da classe média, com
grande autoridade entre o povo e muitos protocolos a seguir (Jo 12.42,43).

Isso significa que Nicodemos era meticuloso quanto ao cumprimento da Lei Mosaica,
tornando o encontro com Jesus um insulto ao seu legalismo.

> **Revista Betel Dominical, 2° Trimestre de 2002, Lição 5:** “Este diálogo, travado
> entre Jesus e uma pessoa especificada, é o mais bem desenvolvido de todos. Como
> Nicodemos é tão claramente identificado, é possível traçar-se uma clara imagem
> de sua personalidade e do propósito de sua visita. Como um dos principais dos 
> fariseus, pertencia à fraternidade mais profundamente religiosa de todo o judaísmo.
> Como líder dos judeus, integrava o supremo organismo jurídico permitido pelos 
> romanos, o Sinédrio, encarregado da liderança espiritual e moral da nação. Como
> mestre de Israel, era um teólogo preocupado com a verdadeira compreensão e ensino
> da revelação dada por Deus”.

### Comentário🤓

Nicodemos, príncipe dos judeus, procurou Jesus de noite. Este detalhe, aparentemente
irrelevante, revela muito. A escuridão da noite contrastava com a luz que emanava
do Verbo encarnado. Ainda preso aos rituais da religião, ele reconhece em Jesus 
algo que os sinais não podiam esconder: **Deus estava com Ele**. Seu título, posição
e rigor legalista não foram suficientes para apagar a inquietação interior que o
levou até o Mestre.

Jesus, com autoridade divina, não se detém nas formalidades e vai direto ao âmago
da questão: _“Necessário vos é nascer de novo”_. Esta declaração fulmina qualquer
tentativa de salvação pelas obras. O novo nascimento não é um complemento da religião,
mas **a ruptura com o velho homem e o início da vida no Espírito**. Nicodemos, embora
doutor, não compreendia essa linguagem porque as coisas espirituais se discernem
espiritualmente (1 Co 2.14).

Seu encontro com Cristo foi improvável aos olhos humanos, mas divinamente agendado.
O legalismo farisaico, preso ao mérito e à aparência, se depara com a graça que 
transforma. O rigor das tradições não pôde impedir que um coração sedento buscasse
a verdade. **Ali, no silêncio da noite, a religião encontrou a revelação**, e o 
protocolo cedeu lugar ao profundo confronto com a eternidade.

### 1.2. É necessário nascer de novo.

Nicodemos devia estar inseguro quanto à sua situação espiritual, por isso foi ver
Jesus (Jo 3.2). Mesmo sendo membro do Sinédrio, que tinha cerca de setenta membros,
Nicodemos estava carente de Deus (Sl 42.1,2). O Sinédrio tinha o poder de decidir
todas as questões além da jurisdição das cortes locais.

Apesar de sua importância e de ser conhecedor das Escrituras, Nicodemos só ouviu
sobre a necessidade de nascer de novo ao encontrar Jesus (Jo 3.3). Mais tarde, ele
defendeu o Mestre quando os fariseus e os principais dos sacerdotes queriam prender
Jesus durante a Festa dos Tabernáculos em [Jerusalém](https://ebdhoje.com.br/licao-09-habacuque-a-fe-como-forma-de-vida/)(
Jo 7.45-53).

> Revista Betel Dominical, 4° Trimestre de 2017, Lição 5: “A regeneração causada
> pelo efeito do novo nascimento acontece individualmente, no interior de cada cristão(
> 1 Pe 1.23). É o ato pelo qual o pecador recebe vida espiritual através da graça
> soberana de Deus e obra especial do Espírito Santo, passando a compreender e discernir
> as coisas espirituais. Sem o novo nascimento não existe qualquer esperança para
> a salvação.
> Jesus disse a Nicodemos que o novo nascimento era uma necessidade, sem a qual 
> não havia possibilidade alguma de se fazer parte do Reino de Deus (Jo 3.5). Interessante
> que o termo `novo; no grego `anothen; significa `oriundo do alto, de cima’; por
> isso, é utilizado se referindo a tudo que tem origem celestial ou do céu. Assim,
> é possível dizer `nascer do alto’ ou `nascer de Deus” (Jo 1.13).

### Comentário🤓

A conversa entre Jesus e Nicodemos é uma janela aberta para a realidade espiritual
que transcende o mérito humano. O mestre dos judeus, revestido de honra terrena 
e sabedoria religiosa, é confrontado por uma verdade inegociável: **não se entra
no Reino de Deus sem nascer do alto**. A autoridade do Sinédrio, a erudição rabínica,
o zelo farisaico — nada disso substitui a experiência da regeneração.

Jesus não ofereceu a Nicodemos um aprimoramento da religião. Ele falou de um **rompimento
com o velho sistema** e da inauguração de uma nova natureza. Nascer de novo não 
é aderir a um movimento espiritual, mas ser vivificado pelo Espírito, que sopra 
onde quer (Jo 3.8). Aquele que conhecia bem os salmos — como o anseio da alma por
Deus em Salmo 42 — agora vivia esse anseio com intensidade pessoal.

O verbo grego _anóthen_ revela que esse nascimento não é humano, nem terreno, mas**
celestial**. É algo que só Deus pode operar. Não é doutrina para decorar, é [milagre](https://ebdhoje.com.br/licao-08-naama-e-curado-da-lepra-cpad-adultos-3-trimestre-2021/)
para experimentar. Quando Jesus disse: “Importa-vos nascer de novo”, Ele decretou
a falência do esforço humano para alcançar o céu. **A porta do Reino está trancada
para os nascidos apenas da carne; ela se abre apenas aos nascidos do Espírito**.

Nicodemos ouviu, e algo começou a mudar. Sua postura posterior, defendendo Jesus
diante do Sinédrio, indica que a semente da Palavra estava germinando. A regeneração
não é uma teoria; é um mover interno que transforma o entendimento, **fazendo-nos
discernir o céu com os olhos do coração**.

### 1.3. O que significa nascer de novo.

Conforme o Dicionário Grego do Novo Testamento de Strong, a expressão “nascer”, 
dentre outros sentidos, indica “gerar, no sentido ativo, referindo-se a Deus, que
tem a prerrogativa de gerar em um sentido espiritual; transmissão de uma nova vida
e de um novo espírito em Cristo (1 Jo 5.1)”. E a expressão “novo” aponta para o 
que “é de Deus”.

Assim, “**nascer de novo**” é nascer de Deus (Jo 1.13), receber de Deus uma nova
vida espiritual. Trata-se de uma ação que tem origem celestial. É a operação do 
grande poder em nós (Ef 1.19); não por sermos merecedores, mas porque Deus é riquíssimo
em misericórdia e por Seu grande amor (Ef 2.4).

> **Revista Betel Dominical, 4° Trimestre de 2017, Lição 5:** “Um termo sinônimo
> para novo nascimento é `regeneração: A palavra `regeneração’ significa “voltar
> a criar’: É uma referência ao ato pelo qual o homem caído é recriado internamente
> a uma condição que lhe permite ter comunhão com Deus. Em outras palavras, o novo
> nascimento é a renovação espiritual da imagem de Deus no homem (Ef 4.24; Cl 3.10).
> A nossa condição antes da regeneração era esta: “Entenebrecidos no entendimento,
> separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração”(
> Ef 4.18).

### Comentário🤓

O novo nascimento é um milagre operado do alto, que transcende a lógica humana e
mergulha nas profundezas da graça divina. Não se trata de mera reforma moral ou 
de um esforço intelectual para alcançar uma vida melhor, mas sim da poderosa ação
do Espírito Santo que gera, do próprio coração de Deus, uma nova vida no interior
do homem. A expressão “nascer de novo”, do grego _anōthen_, aponta para uma origem
celestial — é Deus quem inicia, executa e consuma esse processo.

Esse nascimento não é fruto da vontade humana, nem do sangue, nem da [carne](https://ebdhoje.com.br/licao-08-conhecendo-algumas-armas-poderosas-em-deus/),
mas de Deus (Jo 1.13). É uma regeneração que devolve ao homem a capacidade de se
relacionar com o Senhor, pois ele havia sido separado pela dureza de seu coração
e pela ignorância espiritual (Ef 4.18). A regeneração, portanto, não é apenas um
conceito teológico, mas uma realidade transformadora que restaura no homem a imagem
do Criador, agora moldada em Cristo Jesus (Cl 3.10).

Antes de nascer de novo, o homem está morto espiritualmente, cego e alheio à vida
de Deus. Mas, quando a misericórdia divina age, quando o amor do Pai invade o ser
humano, um novo espírito é implantado — um espírito vivificado pela operação eficaz
do Espírito Santo (Ef 2.4-5). A regeneração não apenas limpa o passado, mas planta
no coração do crente a [natureza de Deus](https://ebdhoje.com.br/licao-01-deus-se-revelou-a-humanidade-revista-betel-adultos-2-trimestre-2021/),
dando-lhe novas inclinações, novos desejos e nova direção.

A verdadeira conversão só é possível após esse nascimento espiritual. Só quem nasceu
do Espírito pode discernir as coisas espirituais e viver em comunhão com Deus. Essa
obra sobrenatural não pode ser fabricada pelo esforço humano, nem simular-se por
aparência religiosa. O novo nascimento é, sem sombra de dúvida, a porta de entrada
para o Reino de Deus — e quem não passar por ela permanece fora, mesmo que esteja
dentro da instituição religiosa.

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### EU ENSINEI QUE:

Jesus explicou a Nicodemos que, para entrar no Reino de Deus, é preciso nascer de
novo.

## 2- Compreendendo o novo nascimento

Nascer de novo é passar por uma mudança profunda (Gl 2.20), começar novamente e 
renovar-se espiritualmente (2Co 5.17). O Filho de Deus nos livrou da lei do [pecado](https://ebdhoje.com.br/licao-04-davi-e-as-consequencias-da-infidelidade-conjugal-revista-cpad-4-trimestre-1993/)
e da morte (Rm 8.2).

### 2.1. O novo nascimento transforma vidas.

Quando alguém nasce de novo, há um desejo de viver a nova vida pautada nos ensinamentos
do Filho de Deus (1 Jo 2.24-28). Isso acontece porque a mudança proposta por Jesus
é uma mudança de consciência, não de aparência (At 24.16). Quando Nicodemos ouviu
Jesus falar de novo nascimento, ele não conseguiu perceber que se tratava de uma
nova consciência, de morrer para os próprios desejos (1 Jo 2.16,17). O novo nascimento
nos leva a abandonar práticas antigas para viver uma nova vida em Cristo (1 Jo 1.9).

> Revista Betel Dominical, 4° Trimestre de 2017, Lição 5: “O apóstolo [Paulo](https://ebdhoje.com.br/licao-10-a-heranca-deixada-por-eunice-e-loide-revista-cpad-4-trimestre-1993/)
> em sua primeira Carta aos Coríntios 2.14 diz: “Ora, o homem natural não compreende
> as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-
> las, porque elas se discernem espiritualmente’.
> Escrevendo aos [efésios](https://ebdhoje.com.br/licao-08-conhecendo-algumas-armas-poderosas-em-deus/),
> o apóstolo Paulo descreve o novo nascimento como uma ressurreição de entre os 
> mortos (Ef 2.5,6). Ou seja, quando estávamos mortos em nossos delitos e pecados,
> a primeira coisa que Deus realizou em nossas vidas foi ressuscitarmos espiritualmente
> para que pudéssemos compreender, ver, ouvir e receber o espiritual, e, dessa maneira,
> ter comunhão com Ele através da [fé](https://ebdhoje.com.br/licao-09-habacuque-a-fe-como-forma-de-vida/)”.

### Comentário🤓

O novo nascimento é o ato divino que gera, no íntimo do homem, uma revolução espiritual—
não apenas uma melhoria de conduta, mas uma substituição de natureza. Em Gálatas
2.20, Paulo testemunha que já não vive mais ele, mas Cristo vive nele. Isso não 
é poesia devocional, mas uma declaração literal de transformação profunda: o eu 
antigo morre, e um novo ser, regenerado, passa a viver. Essa é a essência do novo
nascimento: morte para o velho homem e vida para Deus.

Segundo 2 Coríntios 5.17, aquele que está em Cristo é uma nova criatura. O verbo
_é_ não aponta para uma promessa futura, mas para uma realidade presente e contínua.
Não se trata de um esforço humano em viver diferente, mas da operação sobrenatural
do Espírito que nos livra da escravidão do pecado e da morte (Rm 8.2), implantando
em nós a lei do Espírito de vida.

O novo nascimento transforma vidas porque muda a raiz, não apenas os frutos. Um 
coração regenerado passa a desejar o que Deus deseja. Como escreveu o apóstolo João,
o nascido de Deus guarda os ensinamentos de Cristo (1 Jo 2.24-28). Não se trata 
de uma obediência legalista, mas de uma obediência nascida do amor e da nova consciência
espiritual. Essa nova consciência não é um conceito filosófico, mas uma convicção
gerada pelo Espírito, que nos faz viver diante de Deus com integridade (At 24.16).

Nicodemos, um mestre em Israel, tropeçou exatamente nisso. Ele pensava em termos
naturais, exteriores, enquanto Jesus falava de algo interior, radical, que exige
morte do ego, renúncia dos desejos carnais (1 Jo 2.16-17) e um novo nascimento pela
Palavra e pelo Espírito (Jo 3.5). A regeneração não apenas reorienta o comportamento;
ela transforma a mente e o coração. Abandonamos o velho homem não por força de vontade,
mas porque já não somos ele (1 Jo 1.9).

Paulo reforça essa verdade dizendo que o homem natural — aquele que ainda não nasceu
de novo — não pode compreender as coisas espirituais (1 Co 2.14). A mente natural
está morta para Deus. É por isso que o novo nascimento é comparado a uma ressurreição
espiritual (Ef 2.5-6). Estávamos mortos — sem percepção, sem sensibilidade, sem 
comunhão com o céu. Mas Deus, rico em misericórdia, nos vivificou com Cristo. Só
após essa ressurreição interior é que passamos a ver, ouvir e entender o que antes
nos parecia loucura.

Portanto, compreender o novo nascimento é entender que o cristianismo não é uma 
adaptação do velho homem à moral divina, mas a morte do velho e o surgimento de 
um novo ser, vivo para Deus, guiado pelo Espírito e capacitado a viver em santidade.

### 2.2. A necessidade do novo nascimento.

Todos os seres humanos têm necessidade do novo nascimento para se reconciliar com
Deus. O autor da Carta aos Hebreus recomenda não nos afastarmos de Deus: “Vede, 
[irmãos](https://ebdhoje.com.br/licao-08-uma-historia-marcada-por-deus-revista-betel-jovens-conectar-1-trimestre-2021/),
que haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo”,
Hb 3.12.

Jesus ensinou a Nicodemos que todos precisam nascer de novo para entrar no Reino
de Deus (Jo 3.3). Jesus disse a Nicodemos que aquele que é nascido da carne é carne,
e o nascido do Espírito é espírito (Jo 3.6).

> Ralph Earle & Joseph Mayfield (2019, p.50): “O gerado sempre é semelhante ao que
> o gerou. A aliança antiga só pode produzir a vida antiga. A escuridão gera escuridão.
> A lei, que é para aqueles que estão sem lei, não pode gerar uma vida boa. Se alguém
> quer ter vida, a fonte dever ser o Espírito. A preposição usada nesta última frase
> é muito clara. Uma tradução literal seria `O que é nascido a partir do Espírito
> é espírito”.

### Comentário🤓

A necessidade do novo nascimento é universal e inegociável. Não é uma sugestão espiritual,
mas uma exigência absoluta de Jesus para todo ser humano: “Necessário vos é nascer
de novo” (Jo 3.7). Essa declaração foi feita a Nicodemos — um fariseu, conhecedor
profundo da Lei, homem piedoso e religioso. Se até mesmo um líder religioso como
Nicodemos precisava nascer de novo, quanto mais os demais. A nova vida não nasce
de obras, méritos ou religiosidade, mas da ação sobrenatural do Espírito.

O autor da Carta aos Hebreus, ao advertir sobre o perigo de um coração mau e infiel
que se afasta do Deus vivo (Hb 3.12), nos lembra de que a natureza humana, sem o
novo nascimento, é inclinada à rebeldia e ao afastamento de Deus. A regeneração,
portanto, é o único meio de nos reconciliarmos com o Criador e permanecermos em 
comunhão com Ele.

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A alma não regenerada pode até ter aparência de piedade, mas sua essência continua
separada da vida de Deus (Ef 4.18).

Jesus foi direto com Nicodemos: _“O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido
do Espírito é espírito”_ (Jo 3.6). Aqui, Ele estabelece duas realidades distintas:
a primeira, natural e limitada; a segunda, espiritual e eterna. A carne só pode 
gerar aquilo que é carnal: desejos egoístas, vaidade, pecado, corrupção. Já o Espírito
gera vida, luz, justiça e verdade. É por isso que o novo nascimento não pode vir
de esforços humanos, mas apenas da obra do Espírito Santo.

A citação de Ralph Earle e Joseph Mayfield é profundamente esclarecedora: _“O gerado
sempre é semelhante ao que o gerou.”_ Isso significa que, se permanecermos apenas
como [filhos](https://ebdhoje.com.br/licao-10-a-heranca-deixada-por-eunice-e-loide-revista-cpad-4-trimestre-1993/)
da carne, reproduziremos a natureza caída de Adão — ou seja, permaneceremos mortos
em delitos e pecados. Mas quando nascemos do Espírito, somos gerados conforme a 
natureza de Deus, refletindo a Sua imagem e produzindo frutos de justiça.

A antiga aliança, baseada na Lei, não podia produzir vida espiritual, pois, como
Paulo afirma, _“a letra mata, mas o Espírito vivifica”_ (2 Co 3.6). A Lei foi dada
para revelar o pecado, mas não tinha poder para transformá-lo. A carne, por mais
disciplinada que seja, permanece impotente diante da santidade divina. Somente o
Espírito pode realizar em nós aquilo que a Lei exigia, mas não podia cumprir (Rm
8.3-4).

Essa é a razão pela qual o novo nascimento é essencial: ele rompe com o ciclo da
carne e nos insere em uma nova linhagem espiritual. Em vez de filhos da queda, tornamo-
nos filhos de Deus (Jo 1.12-13). Em vez de produzirmos as obras da carne (Gl 5.19-
21), começamos a produzir o fruto do Espírito (Gl 5.22-23). Sem esse nascimento 
do alto, ninguém pode entrar no Reino de Deus, pois o Reino não é acessível à carne,
mas somente ao espírito regenerado.

Em resumo, o novo nascimento não é uma opção para os espiritualmente avançados ou
para os que desejam um “nível maior” de fé. Ele é o ponto de partida da vida cristã,
a porta de entrada para a comunhão com Deus, a condição indispensável para ver e
entrar no Reino dos céus. É por meio dele que deixamos de ser criaturas e nos tornamos
filhos. É nele que começa a jornada da salvação.

### 2.3. A ação do Espírito Santo no novo nascimento.

A nova criação, que Paulo em Efésios expressa como “criados em Cristo Jesus” (Ef
2.10), é levada a efeito pela ação do Espírito Santo: “nascer do Espírito” (Jo 3.5,6).
O Espírito Santo opera o novo nascimento e nos concede uma nova vida em Cristo (
Tt 3.5). E, após o novo nascimento, o mesmo Espírito habita na nova criatura operando
outras obras: capacitação, fruto, ajuda, santificação e tantas outras.

Como o próprio Senhor disse: o Espírito está com os discípulos de Cristo e vive 
com os Seus discípulos (Jo 14.16-17).

> Revista Betel Dominical, 4° Trimestre de 2017, Lição 5:”Assim como o Espírito 
> Santo desempenhou um papel na criação (Gn 1.2) a regeneração é Obra do Espírito
> Santo no íntimo das pessoas. Como o Senhor Jesus Cristo foi gerado pelo Espírito
> Santo, assim, pela operação do mesmo Espírito, somos “feitos filhos de Deus” (
> Jo 1.12). Como já visto anteriormente, antes do novo nascimento, o ser humano 
> está, espiritualmente, morto em ofensas e pecados.
> A regeneração é Deus agindo em favor do homem: “E porei em vós o meu Espírito,
> e vivereis..” (Ez 37.14). O Espírito Santo é o Espírito de Vida (Rm 8.2). Logo,
> o novo nascimento não é somente uma doutrina, mas uma realidade”.

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### Comentário🤓

A regeneração é uma obra exclusivamente divina, realizada pelo Espírito Santo no
mais profundo do ser humano. Não se trata de mera reforma moral ou de adesão intelectual
a uma religião, mas de uma transformação interior que concede vida espiritual àquele
que antes estava morto em pecados (Ef 2.1).

É uma criação sobrenatural: “criados em Cristo Jesus para as boas obras” (Ef 2.10).
Essa nova criação só é possível pela ação regeneradora do Espírito Santo, como afirma
Jesus: “importa-vos nascer da água e do Espírito” (Jo 3.5).

Tito 3.5 reforça essa verdade ao declarar que a salvação não é pelas obras de justiça
que houvéssemos feito, “mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem 
da regeneração e da renovação do Espírito Santo”. A linguagem é clara: o Espírito
realiza uma “lavagem”, purificando, renovando e gerando uma nova natureza no homem.
Esse novo nascimento é o ponto de partida da vida cristã autêntica, pois, sem o 
Espírito, não há vida em Cristo.

A atuação do Espírito, no entanto, não se limita ao momento inicial da regeneração.
Ele continua agindo de maneira contínua e progressiva na vida do salvo. Como o próprio
Jesus prometeu: “o Espírito da verdade… estará em vós” (Jo 14.17). Isso significa
que o Espírito Santo não apenas nos vivifica, mas passa a [habitar](https://ebdhoje.com.br/licao-02-consequencias-da-inimizade-entre-esau-e-jaco-revista-cpad-4-trimestre-1993/)
em nós, guiando-nos, ensinando-nos e nos santificando.

A _Revista Betel Dominical_ do 4º trimestre de 2017 acerta ao associar a obra do
Espírito Santo na criação (Gn 1.2) com sua obra na regeneração. Assim como o Espírito
pairava sobre o caos inicial e trouxe ordem e vida, Ele também paira sobre o vazio
espiritual do ser humano e gera uma nova existência. Em ambos os casos, trata-se
da manifestação do Espírito de Vida (Rm 8.2).

A analogia com o nascimento de Jesus pelo Espírito Santo também é reveladora. O 
mesmo Espírito que gerou o Filho de Deus no ventre de Maria é o que gera filhos 
de Deus no coração dos homens. Como João declara: “Mas a todos quantos o receberam
deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus… os quais não nasceram do sangue,
nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.12-13).

É importante frisar que a regeneração é uma iniciativa de Deus em favor do homem,
conforme a promessa de Ezequiel 37.14: “E porei em vós o meu Espírito, e vivereis”.
Essa profecia, ainda que tenha aplicação escatológica, aponta para a verdade fundamental
de que é o Espírito quem concede vida. O novo nascimento não é, portanto, uma simples
doutrina para ser estudada, mas uma experiência real e indispensável, vivida por
todos os que de fato pertencem a Cristo.

Além disso, após o novo nascimento, o Espírito opera várias outras ações fundamentais
na vida do cristão. Ele capacita para o serviço (At 1.8), produz o fruto do Espírito(
Gl 5.22-23), auxilia nas fraquezas (Rm 8.26), convence do pecado (Jo 16.8), consola(
Jo 14.26) e santifica (2 Ts 2.13). Sua presença constante é a garantia de que a 
obra de Deus será completada em nós (Fp 1.6).

Concluímos, portanto, que o novo nascimento é a obra inicial do Espírito Santo na
salvação do homem, mas não é o fim. Ele é o início de um relacionamento vivo e crescente
com Deus, sustentado pelo mesmo Espírito que nos regenerou. Sem o Espírito, não 
há vida cristã autêntica. Com Ele, somos guiados de glória em glória, até sermos
conformados à imagem de Cristo.

### EU ENSINEI QUE:

O novo nascimento nos leva a viver uma nova vida em Cristo.

## 3 – Nicodemos no Evangelho de João

O nome Nicodemos, no grego, significa “conquistador por povo” ou “vencedor sobre
o povo” Somente o Evangelho de João menciona esse homem. Os registros revelam um
homem interessado em conhecer mais sobre Jesus; posteriormente, argumentando com
os principais dos sacerdotes e fariseus a favor de Jesus; e participando da preparação
do corpo de Jesus e Seu sepultamento.

### 3.1. Nicodemos reconheceu Jesus como Mestre.

Jesus era amplamente reconhecido por Suas palavras e ensinamentos, sendo chamado
tanto de “Rabi” quanto de “Senhor’; títulos que evidenciavam o respeito que o povo
nutria por Ele como Mestre. Esse reconhecimento não se limitava apenas ao povo comum,
mas também alcançou membros da elite religiosa judaica. Nicodemos, um fariseu e 
membro do Sinédrio, rompeu com o preconceito dominante entre as autoridades religiosas
ao buscar Jesus para aprender com Ele.

Apesar da resistência de seus pares, Nicodemos reconheceu a autoridade de Cristo,
dirigindo-se a Ele com respeito e admiração: “Rabi, bem sabemos que és Mestre vindo
de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com
ele”, (João 3:2). A atitude de Nicodemos nos lembra que o verdadeiro discipulado
exige humildade para reconhecer a verdade e coragem para romper com paradigmas estabelecidos.

> D.A. Carson (O Comentário de João, Shedd Publicações, 1 Edição – Abril de 2007,
> p. 187): “Embora fosse um mestre destacado, Nicodemos se dirigiu a Jesus com um
> colegial rabi. Em certo sentido, isso valeu mais que quando a mesma palavra foi
> pronunciada por dois discípulos de João Batista não informados (1.38); foi certamente
> mais respeitoso que o tom de alguns dos colegas de Nicodemos (7.15, 45-52).
> Tampouco, este desdenhava os milagres de Jesus como aqueles que atribuíram suas
> Obras ao poder de Satanás (8.48, 52). É a evidência dos sinais miraculosos que
> convence Nicodemos de que Jesus não é um mestre comum: Ele deve ser um mestre 
> que veio de Deus – o que certamente não é uma [confissão](https://ebdhoje.com.br/licao-04-davi-e-as-consequencias-da-infidelidade-conjugal-revista-cpad-4-trimestre-1993/)
> da preexistência de Jesus, mas um reconhecimento de que Deus estava peculiarmente
> com Ele […].”

### Comentário🤓

Nicodemos se destaca no Evangelho de João como um exemplo de sinceridade intelectual
e abertura espiritual, características raras entre os líderes religiosos de seu 
tempo. Como membro do Sinédrio e fariseu, ele fazia parte da elite judaica — um 
grupo, em sua maioria, hostil à mensagem de Jesus. No entanto, Nicodemos demonstra
sensibilidade à verdade, reconhecendo em Jesus uma autoridade espiritual incomum,
mesmo diante do preconceito de seus colegas.

Sua abordagem a Jesus, feita de forma privada durante a noite (Jo 3.2), revela tanto
cautela quanto genuína busca por entendimento. Ao chamar Jesus de **“Rabi”** e **“
Mestre vindo de Deus”**, Nicodemos demonstra humildade, admitindo que os sinais 
miraculosos não poderiam ser realizados se Deus não estivesse com Ele. Essa declaração
rompe com a dureza dos líderes religiosos que atribuíram os milagres de Cristo ao
poder de demônios (Mt 12.24), e coloca Nicodemos como alguém espiritualmente inquieto,
movido por uma fé inicial.

D.A. Carson enfatiza que, embora Nicodemos fosse um mestre da Lei, ele reconhece
em Jesus uma autoridade superior. Sua atitude humilde — contrastando com a arrogância
religiosa de outros fariseus — indica que o conhecimento acadêmico, por si só, não
é suficiente para discernir as realidades espirituais. É necessário **nascer de 
novo**, como Jesus lhe ensinaria.

Além disso, a postura de Nicodemos evidencia que **o novo nascimento começa com 
a humildade de reconhecer quem é Jesus**. Antes mesmo de entender plenamente o Reino
de Deus, Nicodemos já demonstra disposição em romper com os paradigmas religiosos
para buscar algo maior. Seu reconhecimento inicial de Jesus como Mestre pavimenta
o caminho para sua transformação pessoal e sua posterior defesa de Cristo diante
do Sinédrio (Jo 7.50-51), culminando em seu envolvimento na preparação do corpo 
do Senhor para o sepultamento (Jo 19.39-40).

Portanto, a atitude de Nicodemos serve como alerta e inspiração: mesmo entre os 
religiosos, existe espaço para [arrependimento](https://ebdhoje.com.br/licao-02-consequencias-da-inimizade-entre-esau-e-jaco-revista-cpad-4-trimestre-1993/),
nova vida e encontro verdadeiro com o Messias. Sua história ensina que **o conhecimento
das Escrituras deve nos conduzir a Cristo, e não à resistência contra Ele**.

### 3.2. Nicodemos rejeita a condenação do Mestre.

Nicodemos era membro do Sinédrio. João relatou que os principais sacerdotes e fariseus
enviaram servos para prender Jesus, mas eles não conseguiram executar a missão, 
pois as palavras de Jesus tinham autoridade (Jo 7.46). Nicodemos protestou contra
a condenação de Jesus pelos líderes religiosos, uma vez que Ele não teve chance 
de se defender (Jo 7.51).

> F.F. Bruce (1987, p. 165): “A regra a qual Nicodemos apela é assim formulada na
> literatura rabínica: `Carne e sangue podem julgar um homem depois de ouvir suas
> palavras; sem ouvi-las, não podem pronunciar julgamento. A lei romana coincidia
> com a lei judaica neste aspecto […] Mas até o protesto de Nicodemos só conseguiu
> da maioria irada a sugestão desdenhosa de que ele mesmo também se tornara galileu»:
> O argumento usado pelos principais dos sacerdotes e fariseus (Jo 7.52) demonstra
> como eram ignorantes a respeito de Jesus, inclusive sobre a região de seu nascimento.

### Comentário🤓

Nicodemos reaparece no cenário joanino não mais como o curioso da noite, mas como
alguém disposto a interceder pela justiça diante da arbitrariedade religiosa. Sua
voz se ergue no Sinédrio — o mais alto conselho religioso dos judeus — para defender
um princípio básico da justiça: **ninguém deve ser condenado sem antes ser ouvido**.

O protesto de Nicodemos, registrado em João 7.51, mostra que sua aproximação com
Jesus havia se aprofundado. Ele não declara abertamente sua fé, mas também não se
cala diante da injustiça. Ao evocar tanto a Lei judaica quanto um princípio reconhecido
no direito romano, ele tenta, ainda que de forma cautelosa, impedir um julgamento
ilegal. A citação de F.F. Bruce destaca bem esse ponto: **mesmo o sistema rabínico
reconhecia que ouvir o acusado era essencial para o julgamento justo** — o que os
líderes estavam ignorando por completo.

A reação do Sinédrio é reveladora: “És tu também da Galileia? Examina e verás que
da Galileia não se levanta profeta” (Jo 7.52). Essa resposta sarcástica e desinformada
não apenas ridiculariza Nicodemos, mas também revela a superficialidade dos que 
se consideravam guardiões da Lei. Demonstram, por um lado, preconceito geográfico—
como se a origem galileia fosse incompatível com a vocação profética — e, por outro,**
ignorância bíblica**, uma vez que profetas como Jonas e Naum eram de regiões galileias.

Nicodemos aparece, portanto, como uma voz profética dentro de uma instituição corrompida
pelo orgulho e pela cegueira espiritual. Sua coragem moral, ainda que contida, é
uma faísca de luz em meio à escuridão do Sinédrio. Ele não apenas rejeita a condenação
precipitada de Jesus, mas expõe, mesmo que de forma implícita, a hipocrisia dos 
líderes religiosos. Seu protesto não é apenas legal — é ético, teológico e humano.

Esse momento é emblemático porque mostra que **nem todo religioso está cego pela
tradição**. Há, como Nicodemos, aqueles que ouvem as palavras de Cristo e não permanecem
os mesmos. A transformação espiritual nem sempre é imediata, mas ela é visível quando,
aos poucos, a pessoa passa a se posicionar a favor da verdade, ainda que em ambientes
hostis.

A postura de Nicodemos desafia os jovens cristãos a serem **vozes dissonantes nos
meios onde a injustiça, o preconceito e a cegueira espiritual prevalecem**. Sua 
coragem nos ensina que, mesmo entre os que resistem a Cristo, pode surgir alguém
com integridade suficiente para reconhecer que Jesus não deve ser julgado com base
em convenções humanas, mas ouvido com reverência e justiça.

### 3.3. Nicodemos leva especiarias para ungir o corpo de Jesus.

No último registro sobre Nicodemos no Evangelho de João, vemos que ele participou,
junto com [José](https://ebdhoje.com.br/licao-08-uma-historia-marcada-por-deus-revista-betel-jovens-conectar-1-trimestre-2021/)
de Arimateia, da preparação do corpo de Jesus e de Seu sepultamento. Nicodemos levou
uma grande quantidade de especiarias para ungir o corpo de Jesus: “E foi também 
Nicodemos (aquele que, anteriormente, se dirigira de noite a Jesus), levando quase
cem libras de um composto de mirra e aloés”, Jo 19.39.

> F.F. Bruce (1987, pp. 324-325): “Mesmo que esta mistura de aloés e mirra não fosse
> um unguento tão caro como o nardo puro’ de Maria de Betânia (12.3- 5), uma quantidade
> tão grande deve ter representado uma despesa que somente um homem excepcionalmente
> rico podia fazer. Entretanto, por que razão foi trazida uma quantidade tão grande
> de substância aromáticas para sepultar um homem? Não ficaríamos surpresos se todo
> este preparo fosse um sepultamento real – mas, aos olhos de Nicodemos, e provavelmente
> também de José, o sepultamento de Jesus tinha tal natureza. Para eles, Jesus era
> verdadeiramente o que a inscrição na cruz proclamara através de zombaria – `O 
> Rei dos Judeus”.

### Comentário🤓

A última aparição de Nicodemos no Evangelho de João é ao mesmo tempo **silenciosa
e eloquente**. Aquele que no início do ministério de Jesus buscou o Mestre às escondidas,
agora se expõe publicamente, **associando-se a Ele no momento mais delicado e perigoso**:
após Sua crucificação.

João 19.39 nos informa que Nicodemos levou cerca de **cem libras romanas (aproximadamente
33 a 34 quilos)** de mirra e aloés para preparar o corpo de Jesus. Essa quantidade
é impressionante e **excede em muito os costumes fúnebres da época**. Tal generosidade
sugere não apenas grande riqueza, como também profundo respeito e amor por Aquele
que foi crucificado. Como destaca F.F. Bruce, essa quantidade de especiarias seria
digna de um **sepultamento real**, e é exatamente assim que Nicodemos e José de 
Arimateia veem Jesus: **um Rei, digno da mais alta honra, mesmo na morte**.

Este ato é extremamente simbólico. Nicodemos não apenas honra o corpo morto de Cristo,
mas **rompe definitivamente com o medo, com o anonimato e com o sistema religioso**
ao qual outrora servia. Ele se junta a José de Arimateia — também membro do Sinédrio—
e juntos realizam um sepultamento que os associa irremediavelmente à figura de Jesus.
Isso significa que ambos colocaram em risco **suas posições sociais, suas reputações
e até suas vidas**.

Nicodemos, nesse gesto final, revela o que já fermentava em seu coração desde a 
primeira conversa noturna com Jesus: **fé verdadeira**. Ainda que essa fé tenha 
florescido lentamente, ela agora se manifesta de forma visível, corajosa e sacrificial.

Não há registro de palavras ditas por Nicodemos nesse momento — **mas os gestos 
falam por si**. Ele não questiona mais, não aparece em meio às sombras, não se limita
à prudência diplomática. Ele serve, honra, se identifica com Jesus. Quando todos
os discípulos haviam fugido, **um fariseu e um senador judeu sepultam o Salvador**.

Este episódio também ecoa uma ironia divina: **o “sepultamento real” de um homem
crucificado**. Aos olhos do [mundo](https://ebdhoje.com.br/licao-08-conhecendo-algumas-armas-poderosas-em-deus/),
um criminoso; aos olhos de Nicodemos, **o verdadeiro Rei de Israel**. A inscrição
na cruz, zombeteira para muitos, era **profética para ele**. Mesmo sem entender 
tudo plenamente, Nicodemos age como quem compreende que Jesus é mais do que um mestre:
é o Cristo.

Esse momento nos convida a refletir: **quantas vezes procuramos Jesus nas sombras
da conveniência, mas hesitamos em segui-Lo publicamente?** Nicodemos nos mostra 
que a verdadeira fé exige ação — e, por vezes, **custo**. Seu exemplo desafia os
jovens de hoje a **irem além da admiração por Cristo** e a viverem com ousadia o
discipulado, mesmo quando o mundo já tiver virado as costas para o Mestre.

A jornada de Nicodemos é a jornada de muitos: começa com curiosidade, evolui com
inquietação, amadurece com posicionamento, e termina com rendição. Ele representa**
a transformação do religioso em discípulo verdadeiro** — um fariseu que passou da
teoria à prática, da lei ao amor, das sombras à luz.

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### EU ENSINEI QUE:

Nicodemos rompeu com o preconceito dos fariseus ao reconhecer Jesus como Mestre.

## CONCLUSÃO

Concluímos que, porque todos pecaram (Rm 3.23), todos precisam se submeter à condição
estabelecida por Deus para entrar em Seu Reino: o novo nascimento. Essa experiência
é resultado da ação do Espírito Santo e da Palavra de Deus na vida daquele que crê
em Jesus Cristo e se arrepende de seus pecados (At 2.38; 3.19), resultando em um
viver como nova criatura em Cristo (2 Co 5.17).

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Lição 05 – O Novo Nascimento – O Diálogo Transformador com Nicodemos | EBD Betel
Adultos 3 trimestre 2025 – [Escola Dominical](https://ebdhoje.com.br/licao-04-davi-e-as-consequencias-da-infidelidade-conjugal-revista-cpad-4-trimestre-1993/)
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