# Lição 08: A Teologia de Zofar: O justo não passa por tribulação? – Revista CPAD Adultos 4 trimestre 2020

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- Published: 2020-11-17T19:50:00-03:00
- Author: ebdhoje

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[⌊Lição 8: A Teologia de Zofar: O justo não passa por tribulação? - Revista CPAD
Adultos 4 trimestre 2020⌉⌊Lição 8: A Teologia de Zofar: O justo não passa por tribulação?-
Revista CPAD Adultos 4 trimestre 2020⌉[

## Lição 08 Revista CPAD Adultos 4 trimestre 2020

### Título da Revista: A fragilidade humana e a soberania divina — O sofrimento e a restauração de Jó

#### Lição 08: A Teologia de Zofar: O justo não passa por tribulação?

**Comentarista:** [José](https://ebdhoje.com.br/licao-08-uma-historia-marcada-por-deus-revista-betel-jovens-conectar-1-trimestre-2021/)
Gonçalves
**Data: **22 de Novembro de 2020

### TEXTO ÁUREO

E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta e repousarás seguro**(
Jó 11.18)**

### VERDADE PRÁTICA

Segundo as Escrituras, até mesmo o [justo](https://ebdhoje.com.br/licao-12-os-beneficios-da-provacao-na-vida-do-discipulo-de-cristo-ebd-betel-adultos/)
passa por tribulação.

  |  📘 LEITURA DIÁRIA |  
 |  Segunda |  Jó 11.4 – É possível autojustificar-se diante de [Deus](https://ebdhoje.com.br/licao-01-deus-se-revelou-a-humanidade-revista-betel-adultos-2-trimestre-2021/)? |  
 |  Terça |  Jó 11.5,6 – Quem pode conhecer a verdadeira sabedoria de Deus? |  
 |  Quarta |  Jó 11.7,8 – Quem pode desvendar o mistério de Deus? |  
 |  Quinta |  Jó 11.9,10 – Quem poderá impedir os planos de Deus? |  
 |  Sexta |  Jó 20.4,5 – O júbilo dos ímpios é breve e a alegria dos maus é momentânea? |  
 |  Sábado |  Jó 20.6,7 – O ímpio, porventura, desaparecerá? |

  |  📜 LEITURA BÍBLICA EM CLASSE |  
 |  Jó 11.1-10; 20.1-10. |  
 |  **Jó 11** |  
 |  1 — Então, respondeu Zofar, o naamatita, e disse: |  
 |  2 — Porventura, não se dará resposta à multidão de palavras? E o homem falador será justificado? |  
 |  3 — Às tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe? |  
 |  4 — Pois tu disseste: A minha doutrina é pura; limpo sou aos teus olhos. |  
 |  5 — Mas, na verdade, prouvera Deus que ele falasse e abrisse os seus lábios contra ti, |  
 |  6 — e te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; pelo que sabe que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniquidade. |  
 |  7 — Porventura, alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso? |  
 |  8 — Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o inferno; que poderás tu saber? |  
 |  9 — Mais comprida é a sua medida do que a terra; e mais larga do que o mar. |  
 |  10 — Se ele destruir, e encerrar, ou juntar, quem o impedirá? |  
 |  **Jó 20** |  
 |  1 — Então, respondeu Zofar, o naamatita, e disse: |  
 |  2 — Visto que os meus pensamentos me fazem responder, eu me apresso. |  
 |  3 — Eu ouvi a repreensão, que me envergonha, mas o espírito do meu entendimento responderá por mim. |  
 |  4 — Porventura, não sabes tu que desde a antiguidade, desde que o homem foi posto sobre a terra, |  
 |  5 — o júbilo dos ímpios é breve, e a alegria dos hipócritas, apenas de um momento? |  
 |  6 — Ainda que a sua altura suba até ao céu, e a sua cabeça chegue até às nuvens, |  
 |  7 — como o seu próprio esterco perecerá para sempre; e os que o viam dirão: Onde está? |  
 |  8 — Como um sonho, voa, e não será achado, e será afugentado como uma visão da noite. |  
 |  9 — O olho que o viu jamais o verá, nem olhará mais para ele o seu lugar. |  
 |  10 — Os seus [filhos](https://ebdhoje.com.br/licao-10-a-heranca-deixada-por-eunice-e-loide-revista-cpad-4-trimestre-1993/) procurarão agradar aos pobres, e as suas mãos restaurarão a sua fazenda. |

### HINOS SUGERIDOS

 * 524 – Cristo Pensa em Mim
 *  539 – Ao Pensar na Dor Crucial
 * 562 – Autor da Vida

### OBJETIVO GERAL

Mostrar que Zofar, assim como seus amigos, defende que os ímpios sempre serão punidos
e os justos recompensados.

### OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos 
subtópicos.

 * Destacar no entendimento de Zofar que o [sofrimento](https://ebdhoje.com.br/licao-12-os-beneficios-da-provacao-na-vida-do-discipulo-de-cristo-ebd-betel-adultos/)
   de Jó fazia parte de um sábio julgamento divino;
 * Explicitar que a conversão defendida por Zofar era de natureza legalista;
 * Esclarecer que a teologia de Zofar limita a [soberania](https://ebdhoje.com.br/licao-01-deus-se-revelou-a-humanidade-revista-betel-adultos-2-trimestre-2021/)
   Deus na sua capacidade de julgar.

### INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Nesta lição estudaremos o discurso do terceiro amigo de Jó, Zofar. A tese que este
último defende é a de que o justo não passa por tribulação. Ou seja, para ele, se
houver tribulação é porque não há justiça na vida da vítima. Essa teologia já esteve
muito presente em nosso país. A ideia de que o sofrimento, as tribulações da vida
e outros dilemas humanos não são para o cristão, não é de todo nova. Entretanto,
os Escrituras nos mostram claramente que quem está em Cristo, não significa que 
tenha ausência de [problemas](https://ebdhoje.com.br/licao-11-jesus-cristo-e-poderoso-para-solucionar-problemas-extremos/)
e provações, mas que há uma grande diferença na forma de passar por eles: uma firme
convicção de que Cristo passa junto.

### 📣 INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos o discurso de Zofar, o último amigo de Jó a falar na série de
debates (Jó 11; 20). Ele insistirá na tese de que o justo não passa por tribulação,
à semelhança do que pensavam seus amigos Elifaz e Bildade. Todavia, Zofar é mais
duro e impiedoso na [acusação](https://ebdhoje.com.br/licao-12-os-beneficios-da-provacao-na-vida-do-discipulo-de-cristo-ebd-betel-adultos/)
contra Jó. Ao contrário de seus amigos, ele faz dois discursos suficientes para 
derramar seu ressentimento contra o patriarca. Ele o acusa de se levantar contra
sabedoria divina e aconselha Jó a voltar-se para Deus.

> PONTO CENTRAL: O justo passa por tribulação.

### I. DEUS SE MOSTRA SÁBIO QUANDO AFLIGE O PECADOR

**1. Deus grande e sábio.**Zofar defende que o sofrimento de Jó fazia parte de um
sábio julgamento divino, pois, para ele, Deus demonstra grande sabedoria em reprimir
os maus. Por outro lado, os bons jamais passam por tribulação. Para Zofar, se alguém
deve algo tem de pagar. Com dureza, o terceiro amigo de Jó não demonstra a mínima
compaixão pelo sofrimento do patriarca de Uz ao acusá-lo de que se comporta como
um animal irracional, um jumento que não tem entendimento (11.12) ao não perceber
a sabedoria divina na condução das coisas. Para Zofar, Jó valeu-se na sua defesa
de palavras exageradas (11.2), desrespeitosas (11.3), cheias de justiça própria (
11.4) e ignorantes sobre as coisas de Deus (11.5,6).

**2. Deus não é indiferente à ação do ímpio. **O terceiro amigo de Jó acreditava
que ele havia se autodeclarado “puro” e “sem culpa” (Jó 11.4; cf. 9.21; 10.7). Cria
também que Deus não é indiferente à ação do ímpio como Jó parecia ter sugerido. 
Assim, para Zofar, se Deus debatesse com Jó, como era desejo deste, então não haveria
dúvidas de que Ele ficaria contra o patriarca e não ao seu favor. Nesse embate, 
Deus revelaria a Jó os segredos de sua sabedoria e o homem de Uz veria que Ele estava
sendo sábio em tratá-lo como merecia. Logo, Jó seria condenado.

**3. Tolos se passando por sábios. **Jó reage com ironia à “sabedoria” defendida
anteriormente por seus amigos (“vós”, Jó 12.2) e agora por Zofar. Este, juntamente
com seus amigos, havia se levantado como legítimo representante do verdadeiro saber.
Zofar, pois, pretende representar o próprio Deus em seu discurso (Jó 13). Todavia,
Jó está convencido de que isso não passava de charlatanismo: “Vós, porém, sois inventores
de mentiras e vós todos, médicos que não valem nada” (Jó 13.4). Ele, portanto, está
resoluto em deixar os amigos e ir à procura de Deus: “Mas eu falarei ao Todo-Poderoso;
e quero defender-me perante Deus.” (Jó 13.3). O patriarca estava certo de que havia
uma sabedoria do alto, que seus amigos desconheciam por completo, e, quando revelada,
ficaria ao seu lado (cf. cap.28).

No lugar dos julgamentos dos homens, há uma sabedoria do alto que sonda os corações
dos que são chamados pelo nome do Senhor, pois Este não vê como os homens veem (
1Sm 16.7).

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#### SÍNTESE DO TÓPICO I

Deus é grande e sábio; os amigos de Jó tentam se passar como representantes dessa
sabedoria.

#### SUBSÍDIO DIDÁTICO—PEDAGÓGICO 😃

Inicie a aula de hoje indagando aos alunos: Os bons não passam por tribulações? 
Só os maus sofrem? Deixe que eles respondam as perguntas livremente e os ouça com
atenção. Perceba que as questões trazem consigo desconforto, pois elas nos afetam
sinceramente.

A ideia com esse exercício é mostrar que, conforme exposto no tópico, muitos podem
cometer as mesmas injustiças de Zofar se não atentar para o seguinte fato: a relação
da soberania divina com a realidade humana nos escapa totalmente. Por isso, olhemos
com mais carinho para o que se passa com o outro e, no lugar de julgá-lo precipitadamente,
atentemos para resolver de que forma podemos ajudá-lo.

### II. A CONVERSÃO COMO RESPOSTA À AFLIÇÃO

**1. Purificação moral.**Nos versículos 13-20 do capítulo 11, Zofar conclui seu 
discurso sobre a situação de Jó. Ele não tem dúvidas de que o patriarca está em 
[pecado](https://ebdhoje.com.br/licao-04-davi-e-as-consequencias-da-infidelidade-conjugal-revista-cpad-4-trimestre-1993/)
e, por isso, a única forma de ele se restabelecer é por meio de uma [purificação](https://ebdhoje.com.br/licao-11-o-reinado-de-ezequias/)
moral. Zofar, portanto, conclama Jó ao [arrependimento](https://ebdhoje.com.br/licao-02-consequencias-da-inimizade-entre-esau-e-jaco-revista-cpad-4-trimestre-1993/)
e conversão. Ele enumera três passos para que isso aconteça: conduta correta (v.
13); oração (v.13) e renúncia ao pecado (11.14). Então, segundo Zofar, se Jó cumprisse
essas condições, reconhecendo que estava em pecado, Deus o restauraria de sua miséria.
Entretanto, a ideia de arrependimento de Zofar é mais de natureza externa do que
interna. O que está em vista é uma teologia do moralismo salvífico em vez da graça
divina. Nesse aspecto, o arrependimento não passava de um mero ritual. Na teologia
de Zofar a simples prática desses ritos trazia consigo o poder de conferir o favor
divino. Na verdade, isso era o que se conhece hoje como legalismo religioso.

**2. É possível negociar com Deus? **Estudiosos destacam que Zofar tenta induzir
Jó a negociar com Deus a fim de se ver livre de suas dificuldades. Era exatamente
isso que Satanás desejava que Jó fizesse (Jó 1.9). O [Diabo](https://ebdhoje.com.br/licao-08-conhecendo-algumas-armas-poderosas-em-deus/)
acusou Jó de ter uma [fé](https://ebdhoje.com.br/licao-09-habacuque-a-fe-como-forma-de-vida/)
interesseira, com base nas promessas de prosperidade em troca de sua obediência.
Se Jó tivesse seguido o conselho de Zofar, teria feito exatamente o que o Inimigo
queria.

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**3. A angústia de Jó. **Diante das insistentes acusações dos amigos e do silêncio
de Deus, Jó dá sinais de desânimo (cap.12-13). Ele manifesta de vez toda a sua condição
humana. O justo sofre!

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Se Jó seguisse o conselho de Zofar estaria assinando um termo de [confissão](https://ebdhoje.com.br/licao-04-davi-e-as-consequencias-da-infidelidade-conjugal-revista-cpad-4-trimestre-1993/).
Assumindo algo que não havia feito. Ele sabia de sua integridade e, por isso, não
se sujeita a esse capricho do amigo. Isso o lança num dilema angustiante. No capítulo
14, ele demonstra que sua esperança está desvanecendo, comparando-se a uma flor 
que é cortada, uma sombra que desaparece e um empregado que trabalha, mas que logo
é dispensado. Qual o sentido da vida nessas circunstâncias? Haveria esperança? Jó
parece estar desiludido. Até mesmo uma árvore quando tem seu tronco cortado volta
a ter brotos novamente, mas isso não acontecia com o homem. Nesse aspecto, o homem
se assemelhava mais a água que evapora ou que se infiltra na terra. Diante desse
quadro, Jó se pergunta: “Morrendo o homem, porventura, tornará a viver?” (Jó 14.14).
Era a pergunta de um homem crente e piedoso, porém, angustiado, que não tem medo
de expressar sua verdadeira condição humana.

#### SÍNTESE DO TÓPICO II

Zofar tenta uma espécie de purificação moral de Jó, conclamando-o ao arrependimento
ritualístico.

#### SUBSÍDIO BÍBLICO—TEOLÓGICO 😃

“Exortação à humildade e ao arrependimento (11.13-20). Zofar foi insensível até 
aqui, a ponto de ser ríspido em seu tratamento com Jó. Mas ele não entregou os pontos
em relação ao seu antigo amigo como se fosse um caso perdido. Ainda existe a [oportunidade](https://ebdhoje.com.br/licao-10-sofonias-o-dia-do-juizo-esta-chegando/)
de Jó recuperar-se da sua terrível condição. Visto que ele está certo de que algum
pecado cometido por Jó é a raiz da sua condição e que o sofrimento de Jó resulta
desse pecado, a resposta é simples. Jó deveria estar aberto e humilhar-se em relação
ao seu mau procedimento. Isso exige reparação, inclusive uma preparação apropriada
do seu coração (13) para colocá-lo num relacionamento correto com Deus. Estende 
as tuas mãos para ele subentende súplica em oração para remover a iniquidade da 
sua vida e do seu lar (13-14). Quando isso for feito, Jó estará apto a levantar 
o seu rosto sem mácula (15). Sua vida será mais radiante e alegre do que antes. 
Todas as causas do medo serão removidas, e em seu lugar haverá segurança e esperança
em sua vida (17-19). Zofar pede para ele olhar em volta. Muitos acariciarão o teu
rosto (19) significa: ‘Muitos procurarão o seu favor’ (NVI)” **(CHAPMAN, Milo L.;
PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares
de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.50)**.

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### III. DEUS JULGA E CASTIGA OS PECADORES

**1. O castigo dos maus**O capítulo 20 contém o segundo discurso de Zofar. Nele,
Zofar lembra a Jó que a aparente prosperidade dos ímpios não passa de ilusão e dura
apenas um instante. Na verdade, ele repete o que os seus outros amigos já há muito
vinham dizendo (Jó 20.5). Os versículos 12 a 14 desse mesmo capítulo são usados 
por Zofar para comparar o deleite do ímpio à uma comida envenenada. Ela pode saciar,
mas proporcionará uma digestão trágica (Jó 20.14). Dessa forma, tudo o que o ímpio
adquiriu de forma desonesta e pecaminosa terá que devolver e restituir (Jó 20.18).
Esse ímpio terá como adversário o próprio Deus, que o julgará e punirá (Jó 20.27-
29).

**2. Jó diante de um paradoxo. **O capítulo 21 traz a resposta de Jó ao argumento
de Zofar. Para o patriarca a tese de Zofar de que os ímpios são sempre punidos era
contraditada pela experiência. Os ímpios poderiam sim ser punidos, mas isso nem 
sempre parecia acontecer, conforme descrito: “Por que razão vivem os ímpios, envelhecem,
e ainda se esforçam em poder?” (Jó 21.7). Jó havia constatado que os ímpios pareciam
gozar de longevidade e prosperidade (Jó 21.8). Além de terem vida longa, eles passavam
seus dias em total regalia e morriam em total felicidade, como podemos constatar
neste versículo: “Passam eles os seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura”(
Jó 21.13 — ARA).

**3. A verdade vem à tona.**A lei da retribuição não se aplica a todas as esferas
da existência humana nem explica os caminhos soberanos do Altíssimo, pois Deus também“
faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos”(
Mt 5.45).

#### SÍNTESE DO TÓPICO III

Zofar diz que todos os maus são punidos, mas Jó apresenta um paradoxo: a experiência
mostra que muitos deles são bem sucedidos.

### SUBSÍDIO BÍBLICO—TEOLÓGICO 😃

“Após sua grande declaração de fé em 19.25-27, Jó consegue alcançar um grau marcante
de serenidade. Mesmo depois das conclusões mordazes do discurso de Zofar, ele não
reage com o mesmo tipo de tensão emocional que caracterizam seus discursos anteriores.
Neste capítulo ele começa a pensar mais claramente acerca das questões levantadas
em vez de gastar suas energias em erupções emocionais que descrevem seu sofrimento
e frustração. No ciclo de discursos, a preocupação de Jó era com o fato de sentir
que Deus havia se tornado seu inimigo. Em seguida, ele foi esmagado ao perceber 
que seus amigos o desertaram, a ponto de se colocarem contra ele. Mas agora o discurso
de Zofar faz com que Jó assuma uma posição positiva em relação aos argumentos dos
seus amigos. Ele contradiz esses argumentos com evidência prática. Ele constata 
que prosperidade e retidão não andavam invariavelmente juntas. Também fica evidente
pela observação da vida que a maldade nem sempre é castigada” **(CHAPMAN, Milo L.;
PURKISER, W. T.; WOLF Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares 
de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014 p.64)**.

### CONCLUSÃO

Vimos como Jó continua sua defesa contra os argumentos de seus amigos, que insistem
em acusá-lo de pecado. Ele está convencido de que é inocente e que não cometeu nada
que justifique tamanho sofrimento. Os amigos de Jó, por desconhecerem as razões 
de seu sofrimento, o acusam de forma impiedosa; e patriarca, por desconhecer a ação
de Deus nesse episódio, chega ao limite do desespero e desesperança. Todavia, como
das outras vezes, mesmo angustiado e não sabendo como Deus permite tudo isso, Jó
não diz palavras blasfematórias contra o seu Criador.

## PARA REFLETIR

 A respeito de “A Teologia de Zofar: O Justo não Passa por Tribulação?”, responda:

### 1. O que Zofar defende?

Zofar defende que o sofrimento de Jó fazia parte de um sábio julgamento divino, 
pois, para ele, Deus demonstra grande sabedoria em reprimir os maus.

### 2. De que Jó estava certo?

O patriarca estava certo de que havia uma sabedoria do alto, que seus amigos desconheciam
por completo, e, quando revelada, ficaria ao seu lado (cf. cap.28).

### 3. Quais os três passos que Zofar enumera para que Jó supostamente se arrependesse e convertesse?

Ele enumera três passos para que isso aconteça: conduta correta (v.13); oração (
v.13) e renúncia ao pecado (11.14).

### 4. Que sinais o patriarca Jó dá diante das acusações dos amigos e do silêncio de Deus?

Diante das insistentes acusações dos amigos e do silêncio de Deus, Jó dá sinais 
de desânimo (cap.12-13).

### 5. O que Jó havia constatado em relação aos ímpios?

Jó havia constatado que os ímpios pareciam gozar de longevidade e prosperidade (
Jó 21.8).

#### SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO 😃

 **A TEOLOGIA DE ZOFAR: O JUSTO NÃO PASSA POR TRIBULAÇÃO?**

A vida não é simplista ao ponto de retratar uma realidade binária em que o justo
não passa por tribulação e o injusto sempre é açoitado por ela. Não muito diferente
de seus amigos, Zofar continua a sessão de julgamento de Jó. Mas agora de uma maneira
mais dura e impiedosa, ele dirá que Jó está se rebelando contra a sabedoria de Deus.
Para Zofar, Jó deveria confessar a sua impiedade.

**Resumo da lição**
O objetivo geral desta lição é mostrar que Zofar, assim como
seus amigos, defende que os ímpios sempre serão punidos e os justos recompensados.
Para desdobrar essa temática, os três objetivos específicos terão de ser alcançados.

O primeiro objetivo de nossa lição é destacar, segundo o entendimento de Zofar, 
que o sofrimento de Jó fazia parte de um sábio julgamento divino. Para isso o primeiro
tópico abordará Deus como o grande e sábio; e os amigos de Jó como representantes
dessa sabedoria. É claro que Deus é grande e sábio, a Bíblia deixa isso muito claro.
Também é verdade que Deus não ignora a ação do ímpio, pois seus olhos passam todos
em revista. Entretanto, Zofar e seus amigos estavam usando suas posições para se
passarem como verdadeiros sábios contra a integridade de Jó, exigindo dele uma “
conversão” que não fazia sentido.

O segundo objetivo é explicitar que a conversão defendida por Zofar era de natureza
legalista. Nesse ponto que o segundo tópico expõe que Zofar tenta uma espécie de
purificação moral de Jó, conclamando-o ao arrependimento ritualístico, como se fosse
possível negociar com Deus por meio de meros rituais. No lugar de trazer consolo
e paz, trazia angústia para a alma aflita de Jó. A realidade de Jó demonstrava que
o justo sofre.

O terceiro objetivo específico da lição é esclarecer que a teologia de Zofar limita
a soberania de Deus na capacidade de julgar. O terceiro tópico testifica que, segundo
Zofar, todos os maus são punidos, mas a experiência de Jó atesta que muitos deles
são bem sucedidos. Ou seja, no lugar de serem punidos, aparentemente não “pagam 
o preço” de suas impiedades. Enquanto Jó, um justo, sofre sem explicação.

**Aplicação**
Ao final desta lição, é importante afirmar que a soberania de Deus
implica mistério. Nem sempre teremos explicações corretas para dar acerca das questões
humanas. Sim, muitas vezes o crente fiel passa por muitas injustiças e provações,
mas, contudo, ele não é desassistido por Deus.

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